viadutos e arranha-céus de sangue negro
forjou-se a cidade que hoje estranha-me.
e o próprio país, no seu porte
robusto, tem timbrado
na sua história, sangue escravo.
e sequer me sinto
acolhido onde quer que eu vá dentro
da terra natal.
em cada pedra do chão onde piso
reconheço-me mendigando
uma paz que não encontro, onde eu possa
me alargar, e fazer parte
do entorno por onde me desloco,
onde eu possa sorver o ar
e livrar-me da canga pesada
a tolher-me o ser.
meu refúgio neste lugar onde me fiz,
nesta nação onde pensei
ser minha casa, é nas páginas de um livro,
quando me encontro só
junto a meus dilemas,
resolvendo minhas dores e alegrias,
(poucas são as alegrias),
nesta sociedade engatinhando.
Set- 2025