rio sem leito desaguando n'abismo.
13 de maio,
braço de arroio seguindo para o breu.
do ajuste malacabado
da crônica funesta,
nem liberdade ou justiça, apenas cascalho.
13 de maio,
dormimos no cepo aquela noite,
com as portas da senzala trancadas,
no dia seguinte as calçadas.
13 de maio,
foram os grilhões, depois miséria e fumaça.
foi a tortura, depois fome e cachaça.
foram as lavouras, depois cortiços e favelas.
13 de maio,
apaziguando a culpa
da cabeça pesada do império.
atando ao passo do escravo a bola de ferro
da própria sorte.
13 de maio,
a farsa sem culpa de nhonhô e sinhá,
a culpa sem farsa dos confinados,
escravos do vento contrário,
13 de maio.
Set- 2025