segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O enredo de um amor

grafar teu nome no atropelo
das obrigações diárias do outono poluído 
da metrópole de pedra
escrever entre ruídos e fuligem 
o enredo de um amor 
que não se desgaste feito engrenagem
e na grave inércia do mármore exista

o tempo é credor dos corpos
hábitos e costumes
com o amor coexiste na órbita do indizível
é frágil a sintaxe do verbo
e rica a poesia que há na vida

então quero existir
noite adentro da intimidade nossa
na fortaleza de um apartamento
tratar de demandas e boletos no café da manhã
averiguar nos jornais alento concreto 
para violência

vez em quando evadir pro campo

      Mar- 2021

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