segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Rolê

os mendigos assassinos
pisando em baratas
no centro da São Paulo
escaldante

                      Dez- 2025

domingo, 14 de dezembro de 2025

Escombros periféricos sob um céu puro

o dia do azul mais belo
a fresca alva da manhã repleta de orvalho
e a fotografia mais triste da terra
dos homens pretos
um brasil de restos de lonas rasgadas
servindo de abrigo aos seres
mais carentes entre
os humanos.
aqueles que chamamos despudoradamente
como a nudez de uma virgem
em praça pública:
favelado.

                              Dez- 2025

O poema e seu legado de sombra

eram dois por dois toda a sua posse
o restrito espaço onde depositou toda a sua ilusão
poeta negro homem sem pertences
já não importava
estava a um passo de legar
alarido de sombra.

                         Dez- 2025

Poetas do crepúsculo

vestígios do tempo na tessitura
das trevas de uma rua sob o domínio do silêncio
menos que rua, beco escuro
viela deflagrada
de pequenas tragédias de seres irrelevantes.
um pássaro a rasgar a noite violada
de uma criança dormindo
sob os escombros da miséria
corroendo. a destroçar o peito inocente
sangue e lágrimas
crime perfeito, alguns otários
catando conchinhas
na guanabara.

                     Dez- 2025

sábado, 13 de dezembro de 2025

Talvez o fruto

o sêmen envelhece
a qualidade do fruto se degrada no corpo
e mesmo a mais amante das negras
jovens
sem senzalas rebenques ou 
                                      bacamartes
não é capaz de tanta ilusão
no ventre da manhã
gestando 
revoluções.

                              Dez- 2025

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Crônica despóstica de uma África viva

astros analfabetos
a riscarem os céus carentes de pássaros
nas trevas poluídas da metrópole
noturna.

NÃO!

adultos jovens e crianças negras
a catarem em suas vidas de desastres
uma réstia do alfabeto
massacrado
pela soberba egoísta
do homem
branco.

                    Dez- 2025

sábado, 6 de dezembro de 2025

Despertar

a lua periférica é vesga
catando passos negros aos tropeções
com vestígios de senzala e dor
entre as fibras ópticas
do progresso.

                   Dez- 2025

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Crua realidade

manicômio para o negro
o viés a inclemência
e o ódio do conjunto da sociedade e suas
instituições corrompidas,
mais as fezes fartas do capitalista.
para o branco
sombra, água de coco
e a paz dos
dias amenos.
uns braços da tolerância,
todo amor e afeto.

                   Dez- 2025

Humilhação

branquitude humilha o negro
desde que o negro é raça.
primeiro veio a exploração dos disponíveis
depois o espólio dos abnegados.
os últimos dos negros da história
não contada.
hoje é o negro com a branca
e os seus afetos de escárnios e fel
sobre o desespero.
e a negra com o branco
a perpetuação 
do domínio dos bárbaros.
sobre a ingenuidade.

                 Dez- 2025