mesma dor
a mesma ponta
de faca a mesma
emboscada pra pegar
à traição
as mesmas tristes
estampas de desonra
nas mesmas
peles a mesma
dor
e na esteira do triste
contraste
a fortuna vasta garantia
do legado século
adentro
a tenra carne escrava
currada pelos
corredores
amplos e salas
às claras
velhas secas
de tão sugadas
e os agora nutridos
e desmamados rebentos nobres
no regalo em estrangeiros
ares
a triste geografia
dos espaços insalubres
dor no sobe e desce
degraus
da vida de imensas pedras
sobre os ombros
áspera vida
reflexos
em espiral que se repetem
numa constante
que não se esgota tempo
afora
a mesma dor faca
os mesmos
tristes
contrastes
Jul- 2026