a mesma dor e ponta
de faca o açoite da chibata
a velha emboscada à traição
e o relevo dos lanhos
nas mesmas peles
a champagne de ouro
taça de cristal séculos adentro
eternamente
a tenra carne escrava
ferida pelos corredores
amplos e salas
às claras
amas de leite secas
de tão sugadas
e o folgar dos nutridos
tragando a noite do estrangeiro
os apertados dias
por frestas de tábuas
entre uma podridão e outra
dor no sobe
e desce becos
vidas negras de imensas
pedras nos ombros
reflexos
em espiral que se repetem
numa constante
que não se esgota tempo
afora a mesma dor
e faca ontem
e hoje
já não basta?
Jul- 2026