sexta-feira, 19 de junho de 2026

Na história do corpo

no auge do maior encanto
abobado cometi desatinos à luz do dia e em público
garatujei cartas de amor ridículas
e no torpor do afeto mais puro
delirei pelas ruas falando comigo mesmo
e até esqueci das obrigações para largar-me
nos teus braços longas tardes
e sob os mais apaixonados beijos de amor
tudo ficou tão sério que hoje ouso dizer
estava tudo tão além das minhas forças
estes foram os primeiros e derradeiros tempos de um amor
que não posso esquecer
embora nossos braços perderam-se noutros braços
nossas bocas noutras bocas
e as palavras e os gestos e os anseios
os planos mudaram a direção
e como já eternizei noutros versos que evoquei este amor
é perpétuo o seu lugar junto a mim
ainda que caminhando assim pela cidade tão outra
com quatrocentas misérias no peito
mais mil amores na história do corpo já gasto
uns pobres versos pelos bolsos 
e a solitude como herança da miséria que fui.

                                  Jun- 2026

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