eu acredito na vida
apesar das toneladas de rancor alheio
que carrego sobre os ombros
competentes no intento
fizeram tudo
sob o manto secreto da noite silênciosa
sob cada pedra do caminho
por onde me desloco
deslocado de tudo
escancaradamente adverso
em cada esquina um olhar de esguelha
a cada rua onde vai meu passo
já cambaleante
a desconfiança a vigiar cada gesto
que natural me escapa
já não tenho destino
que talvez fosse um bar ou biblioteca pública
onde depositar os fragmentos
das certezas tortas
de cada olhar que atravessou
minh'alma tão inutilmente
obstinada
Set- 2025