segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Boas-vindas a um negro

havia gritado a plenos pulmões
milhões de vezes liberdade
e como no poema
não parei de gritar não parei
também evoquei Zumbi para guardar
as entradas de meu corpo frágil
mas escutava apenas
minha própria voz num eco
e de chapéu no chão
corpo prostrado sobre um sangue coagulado
sangue dos ausentes da guerra
desesperava-me
quando do outro lado da rua
uma cruz em chamas aterrorizava
num descampado
nos galhos fortes da única arvore
uma forca jazia em silêncio
pensei estar sob efeito dum sonho mau
mas não era sonho
era o vil cartão de boas-vindas
à sociedade "moderna".

                    Set- 2025

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