sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Cotidiano

sempre um poeta nas ruas assombradas
da cidade arruinada
e mãos de mando nas luxuosas salas de vidro
a produzir gordas rendas do arsenal de mãos operárias
o poeta num banco de praça lamenta o espetáculo bufo
- a vida pra lá deste jardim é triste.
                                    e obedientes ovelhinhas 
a cumprir expediente nas repartições
nos escritórios nas capitalistas engrenagens
de desigualdades
o poeta recolhe o chapéu pousado no banco da praça
guarda os papéis na bolsa de couro
e parte cabisbaixo com tantas misérias
pra encaixar no poema que tece sob a crespa dor
                              do seu dia de cão.

                             Set- 2025

Nenhum comentário:

Postar um comentário