da cidade arruinada
e mãos de mando nas luxuosas salas de vidro
a produzir gordas rendas do arsenal de mãos operárias
o poeta num banco de praça lamenta o espetáculo bufo
- a vida pra lá deste jardim é triste.
e obedientes ovelhinhas
a cumprir expediente nas repartições
nos escritórios nas capitalistas engrenagens
de desigualdades
o poeta recolhe o chapéu pousado no banco da praça
guarda os papéis na bolsa de couro
e parte cabisbaixo com tantas misérias
pra encaixar no poema que tece sob a crespa dor
do seu dia de cão.
Set- 2025
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