na estufa da rua não tem o ar dos escritórios.
o asfalto invade-lhe a face, penetra-lhe a pele;
não há distinção.
ele não tem canto onde chegar e restaurar o ânimo,
trancar os olhos, ignorar o mundo,
num sono que o resgate, trégua amiga.
fome não sabe o que é, quer um cigarro,
enseja uma marquise
para largar a carne dum inchaço de decomposição:
cadáver que ambula com a morte nos calcanhares.
a vida à míngua e seus pertences de pano roto,
a roupa do corpo.
distâncias estampadas na rigidez do rosto.
mais nada.
São Paulo, Out-2025
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