o fragor do ferro doendo
ventos de estigmas e grades
a fome das elites legando
guetos de tombos e cravos
as noites de ouro dos barões
bebidas em taças intactas
através dos séculos
abuso à tenra idade
nos amplos casarões do café
o éden agora são borros
diante das pupilas serenas
de uns olhos sem culpa
as negras de leite secas
e o fruir dos desmamados
tragando noites europeias
os apertos dos dias
cercados por tábuas amargas
entre um e outro fedor
num sobe e desce de becos
o mesmo fardo imenso
toneladas de negridão
e a pele verga o corpo
ontem e hoje!
Jul- 2026