domingo, 26 de julho de 2026

Mãe negra

                                       à minha mãe
Mãe,
brincou os carnavais
sem alegoria ou samba-enredo,
nem estandarte, desfile, passista ou fantasia;
porque pisou apenas as avenidas árduas
das tuas obrigações.

na tua casa não teve "macumba, 
galinha preta, azeite de dendê", nem "ladainha,
reza bonitinha ou canjiquinha pra comer".
não pude evocar por isso a nossa etnia ancestral
que se perdeu diante da carga 
de intolerância.

Mãe,
a urgência perturba,
por que gestando as mães sentem tanto 
as dores e prantos do ser que desentranham?
por que no parto sentem tudo 
do filho que aflige feto e agora fato, 
esta voz que ecoa fora do útero?

mãe negra é a mãe branca,
com os encargos da cor.

        Agos- 2021

2 comentários:

  1. Lindo poema, mãe é amor incondicional, mãe não tem côr, não tem raça mãe tem coração que ama e sofre. Mãe é aquela que é toda garra e perfeição que é para 100 filhos. Mas 100 filhos não é para uma mãe.

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  2. Parabéns meu escritor predileto. Por este poema, tiro meu chapéu.

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