à minha mãe
Mãe,
brincou os carnavais
sem alegoria ou samba-enredo,
nem estandarte, desfile, passista ou fantasia;
porque pisou apenas as avenidas árduas
das tuas obrigações.
na tua casa não teve "macumba,
galinha preta, azeite de dendê", nem "ladainha,
reza bonitinha ou canjiquinha pra comer".
não pude evocar por isso a nossa etnia ancestral
que se perdeu diante da carga
de intolerância.
Mãe,
a urgência perturba,
por que gestando as mães sentem tanto
as dores e prantos do ser que desentranham?
por que no parto sentem tudo
do filho que aflige feto e agora fato,
esta voz que ecoa fora do útero?
mãe negra é a mãe branca,
com os encargos da cor.
Agos- 2021
Lindo poema, mãe é amor incondicional, mãe não tem côr, não tem raça mãe tem coração que ama e sofre. Mãe é aquela que é toda garra e perfeição que é para 100 filhos. Mas 100 filhos não é para uma mãe.
ResponderExcluirParabéns meu escritor predileto. Por este poema, tiro meu chapéu.
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