amar você é o delito
que cometo sem culpa diariamente,
e sou autor satisfeito no tribunal desta sorte
que nos obriga a viver o outro,
e submete a uma dor que não machuca,
apenas desenha signos.
os seus vestígios de mulher
espalhados na história deste corpo negro,
são bens que você não quis guardar,
ou doar a qualquer um,
essa generosidade eu jamais
esquecerei.
ao sabor dessas delícias
nego alvará de soltura, a boa liberdade
deixo para os fracos,
que não souberam doma-la.
e quanto mais sinto o hálito do seu sexo
nestas narinas largas,
tanto mais é bruta a força que faço
de não ceder assim fácil à sedução de outros olhos,
em qualquer rua, ou transporte público.
Mar- 2021
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